quarta-feira, 15 de julho de 2009

120

"Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã. Mas o poço não tem fundo, persiste sempre por trás, as cobras no fundo enleadas na lança. Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim. Há muito tempo estava acostumada a apenas consumir pessoas como se consome cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe, mas foi só mais um engano? E quantos mais ainda restam na palma da minha mão?"
Caio Fernando Abreu

2 comentários:

Maria Clara disse...

muito,muito bom o que você escreveu. Eu amei

disse...

Nossa adorei o texto! É tão misterioso e complexo ao mesmo tempo! Parabéns ^^
Ps.: Adoro suas fotos :D
Beijos