quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Despedida


Era praticamente meia-noite. Fazia frio, apesar do calendário mostrar que estavam no verão. O dia em si já havia amanhecido triste. Fora cinzento e chuvoso desde o começo. Não haviam pássaros para cantar depois da chuva. Não se ouvia os latidos alegres daquele companheiro. Nunca mais se ouviria...
- Vou ficar em casa...Não vou conseguir ver isso - disse, enxugando as lágrimas na palma da mão.
Forrou o porta-malas com cuidado, para que não machucasse o corpo dele, agora tão frágil. Ajudou a colocá-lo no carro. Pegou sua cobertinha de infância e cobriu o amigo. Sentiu aqueles olhos cheios de amor encontrarem os seus. Tentou segurar, mas as lágrimas teimavam em sair.
Acariciou as orelhas e perto do focinho, sabia que ele gostava. Ele encostou a cabeça no banco e a fitou com carinho, como sempre costumava fazer. Talvez ele entendesse tudo o que estivesse se passando. Não parecia agitado...estava sereno, calmo. Ficaram ali por um tempo. A realidade chamou de volta.
- Adeus, Brumer. Adeus, meu bebê.

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